Lembro-me bem o quanto ficava empolgada quando meu irmão chegava com um jogo novo, ainda mais quando envolvia destruição. E então enquanto quebrava vários carros em volta com o Burnnout Takedown, ouvia pela primeira vez várias bandas que marcariam minha infância/pré-adolescência, mas apenas uma fez a grande diferença, apenas uma abriu meus olhos e acalmou meu coração nas horas difíceis, como por exemplo, um sonho ruim, mas também músicas me enchiam de energia e criatividade para escrever, em especial comecei com fanfics e hoje tento terminar meu livro.
A cada ano, minha paixão por aquela banda ficava com mais fervor e eu era cada vez mais dependente, como um vício, afinal eu tinha 12 anos, e me apeguei naquelas palavras que mal conseguia pronunciar para seguir e ser forte em minha imaginação. Era um mundo que eu não queria sair, um mundo em que voz de Gerard Way soava em meus ouvidos e me transportava para outro mundo onde eu tinha voz e tinha poder de colocar o que pensava em palavras.
Era só colocar os fones de ouvidos que toda aquela energia vinha de dentro do corpo e se derramava para fora como uma explosão de sentimentos a cada frase cantarolada, sentia-me própria da banda, sentia-me sendo a banda.
E então veio a esperada chance de vê-los ao vivo, e todo aquele dinheiro que guardei, iria me trazer a verdadeira felicidade, que essa felicidade durou até ouvir um NÃO. Mesmo eu, usando como proposta de presente de 15 anos, a resposta continuou a mesma.
Não chorei, não gritei, não fiz nada, apenas calei-me e tentei acreditar em futura volta.
Os anos foram passando e eu conclui que minha história com o My Chemical Romance é um pouco triste. My Chemical e eu, foi como uma história de amigos de rua, que se divertiram muito, porém chegaram na fase onde as crianças de ontem crescem, fazem-se adultas, e assim seguem rumos diferentes.
Vi meus amigos postando, mas só acreditei nesta tarde, na minha hora de almoço, quando vi o anúncio e quando li a carta de Gerard Way sobre o fim.
Novamente, não chorei, não gritei, não me entristeci.
Afinal não estamos mais em época de Demolition Lovers, nem de Helena, nem de Welcome to the black parade, esses tempos passaram e o mundo mudou, o foco que era rock de jovens de cabelos escuros e nerds, agora é outro.
Mas por mais que o tempo passe, a sensação ao ouvir as músicas continua e continuará mesma, com aquela energia que só eles sabem transmitir.
(Roubei essa foto do face :P)
E eu só tenho que agradecer.
Obrigada.
Com amor,
Ray
